Mundo da moda e o mercado internacional

Grande parte dos jovens que desejam ser modelo, querem trilhar carreira no mercado internacional. Sonham em ver seus nomes estampados em publicações e estrelar campanhas nos mais diversos lugares do mundo. Mas para isso é preciso saber falar outras línguas, ter o apoio da família, se preparar da melhor maneira possível e ter o maior cuidado para não cair em armadilhas.

E para trazer dicas valiosas para quem sonha com esse mercado, conversamos com Luiz Arruda. Ele é palestrante e Scouting de modelos, e trabalha há muito tempo com a exportação de modelos brasileiros para os mais diversos países.

Confira as dicas do scouting:

 

Quando um modelo está pronto para o mercado internacional?

A grande verdade é que não existe uma fórmula apenas, mas existem pistas que podemos observar que nos ajudam a concluir se é o momento de embarcá-lo para o internacional: se a pessoa está em SP ou RJ e não para de sofrer porque deixou a família no interior do Brasil, ela não está pronta para uma distância maior; demonstrar falta de maturidade nas situações cotidianas como convivência com outras modelos ou mau comportamento em testes e trabalhos também são sinais de alerta de que o modelo não está pronto. Gente muito manhosa, mimada e muito pouco flexível… sinal vermelho neles também!

Mas a grande verdade é que só descobriremos a realidade quando expusermos o modelo àquele mercado. As atitudes no dia a dia do modelo aliás,  me dirão se ele está pronto inclusive para permanecer como modelo no eixo Rio-SP;

 

Qual as principais diferenças entre o mercado nacional e o internacional?

O mercado internacional é muito mais focado em resultado e se estabelecem prazos muito mais rígidos: se o modelo não trouxer resultados em determinado período de tempo, será descartado.

It’s only business baby!!!

 

Que dicas tu dá para quem sonha com a carreira internacional?

Quem quer ser um cidadão do mundo, tem que se tornar um cidadão do mundo.

É preciso ter cultura, ler sobre outros costumes e países, estudar inglês, olhar os sites das grandes agências internacionais, entender a concorrência, treinar andamento e poses para construir um repertório… e se aprimorar continuamente.

 

É possível passar uma temporada fora do país, sem ter trabalhado antes no Brasil?

Sim, é bastante possível isto… existem meninos e meninas de grande potencial internacional e cuja primeira experiência será lá fora antes;

Agora, o risco também é bastante grande e é preciso ser muito bem planejado: existe o choque cultural, a falta de vivência no mercado de modelos, dependendo do mercado de destino a alta concorrência que se enfrenta, imaturidade… até o clima e a culinária podem interferir no resultado.

Não ter o que chamamos de “savoir faire” ou jogo de cintura pode ser um fator de desânimo e mesmo desistência em muitos casos.

Mas com boa orientação e planejamento, é possível sim.

 

Por que muitos modelos têm a primeira experiência internacional na Ásia?

Na Ásia, a exceção clara do Japão, existem mercados no qual o nível de concorrência é baixo para os novos modelos e o volume de trabalhos é bem maior.

Quando falamos em carreira internacional, tem muito mais modelos sonhando e dispostos a ir para Paris que para Guangzhou no interior da China… então, iniciar por lá acaba sendo um bom negócio para o modelo novato e para sua agência. É como se fosse um mercado escola: o modelo acorda e dorme pensando em trabalho, aprimora o inglês, fica rápido, ou seja, vira modelo mesmo!!!

E aí quando chegar a um mercado mais importante e concorrido, como o Europeu, já estará mais experiente e com dinheiro no bolso. É ainda uma boa estratégia inicial.

 

Quais os cuidados que se precisa ter na hora de escolher a agência que vai representar o modelo fora do país?

Um dos melhores caminhos é ir através de boas agências aqui do Brasil que tenham conexões com as boas agências lá de fora.

Ter uma equipe nacional que organizará tudo para você, explicará todos os detalhes a sua família e que vai “falar a mesma língua” com os profissionais de fora amplia em muito a segurança e clareza destas negociações.

Sua agência nacional irá optar pelas maiores, mais sólidas e mais expressivas agências para seu perfil.

 

Quais os riscos que se corre ao tentar a carreira internacional sem a ajuda de profissionais e agências sérias?

As armadilhas são muitas. Os mercados têm particularidades e dificuldades que só quem tem experiência na área poderá antecipar.

E assim como no Brasil, há agências que abrem e fecham em uma velocidade absurda lá fora, assim como há aquelas de se intitulam “agências” mas fazem qualquer outra coisa, menos trabalho de modelo.

 

O Brasil figura entre os países que mais exporta modelos? Por quê?

O Brasil já teve uma expressão maior uma década atrás. O mundo voltou os olhos para o Brasil após a geração Gisele, Isabeli Fontana, Adriana Lima e Ana Beatriz Barros.

Ainda temos nosso lugar garantido, mas os olhos do mundo estão em todos os lugares agora. As fronteiras entre os povos caíram e hoje os modelos vem de todos os cantos do mundo.

O que talvez tenhamos de maior em relação aos outros países é o interesse dos jovens em ser modelo. Mas a concorrência para nós cresceu demais.

 

Qual a importância de aprender inglês ou outras línguas para a profissão?

É uma profissão de relações humanas e concorrência diária… como estabelecer relações com outros profissionais da área e com os clientes sem o domínio do idioma?

Conseguir bons resultados com quem entende o que se fala já é extremamente trabalhoso… imagine quando se tem a frente alguém que não se comunica!

Um cliente sempre dará preferência a quem pode colaborar com o projeto dele…e não a quem atrapalha.

Sem falar que as equipes de trabalho, principalmente lá fora, são multiculturais: o fotografo é americano, o maquiador é francês, o estilista japonês, a moça do café veio da Turquia… enfim, salada cultural!

Então, o idioma oficial do mercado de modelos se estabeleceu como o Inglês! Mas as exigências mudam de tempos em tempos… este ano, já recebi um e-mail de uma agência com a qual colaboro em Tokyo que solicitou modelos que falassem o japonês ou estivessem dispostas a prender rápido…

 

Qual a importância da família para quem sonha em ser modelo?

A família fundamental para que desde o início as coisas corram bem.

Costumo dizer que o filho/filha pode sonhar, mas os pais têm que ter os pés no chão. Ajudar um filho a realizar um sonho, não significa embarcar nele!

É preciso buscar informações, pesquisar, ir conhecer a estrutura da agência e sua equipe, acompanhar os primeiros passos do filho nesta atividade, entender qual planejamento a agência tem em mente para aquele modelo… e também entender qual o papel do modelo e cobrar comprometimento dos filhos para que os resultados sejam positivos.

Os resultados não virão como um golpe de sorte, produto do acaso ou uma graça divina… É trabalho de equipe: família, modelo e agência trabalhando em parceria!!!

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4 comentários

  1. Luzene 1 junho, 2017 at 17:39 Responder

    Gostei muito da palestra de Luiz Arruda um homem muito sábio e agora essas dicas só veio acrescentar. Um forte abraço e muito obrigado.

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